Zombieland
Admito, não estava com coragem para assistir Zombieland (EUA/2009). Todo esse modismo nerd-amante-de-zumbis tinha me cansado a beleza. Era zumbi para lá, zumbi para cá, tanto zumbi que até a Zombie Walk, evento que sempre achei bacana pelo fator bizarrice, já tinha me torrado.
Quando um tema entra no universo pop, começa-se a produzir tanta porcaria para ganhar dinheiro que acaba enjoando. Até os últimos filmes do Romero ficaram um lixo que não dá para assistir. Não que filmes sérios com zumbis não funcionem mais, mas a verdade é que geralmente eles ficam muito longe das pérolas do trash que o cinema italiano e o próprio cinema “B” americano nos proporcionaram nos anos 70 e 80.
Sim, a o remake de Madrugada dos Mortos do Zack Snyder (2004) é muito bom, e sem dúvida o tema de uma infestação global por um vírus que transforma humanos em bestas selvagens foi muito bem aproveitado em Extermínio (1999) e [REC] (2007), e Walking Dead é uma história em quadrinhos realmente fantástica. No entanto, a verdade é que, desde que o imaginário nerd caiu no gosto popular na última década, a grande maioria do que é filmado/publicado sobre o tema, deveria ser reciclado e usado como papel higiênico.
Para mim, o grande erro na grande maioria dos filmes ruins de zumbi é o excesso de pretensões políticas-sociais-defensora-dos-animais que parece sempre ter que ser pano de fundo para histórias fracas e focadas nos personagens errados, no caso os tais mortos-vivos. Zumbis mordem, ponto final. Não há por que focar neles. Boas histórias geralmente focam nos humanos fodidos que sobreviveram e agora têm que se virar para não virar antepasto. Vide Shaun Of The Dead, se tiver qualquer dúvida quanto a isso.
Zombieland parte dessa premissa: tira toda e qualquer pretensão política e bate no liquidificador o que sobrar com humor escrachado. Bingo. Nem precisa de um roteiro, afinal, os roteiros de filmes sobre apocalipse zumbi são sempre os mesmos: personagens que estão na merda e tentando sobreviver a qualquer custo.
Na trama, um nerd virgem (Jesse Eisenberg) que sobrevive ao holocausto por sofrer de agorafobia e seguir uma lista enorme de regras que o mantém vivo, resolve partir em direção a cidade onde moram seus pais. No meio do caminho ele encontra um fortão psicótico (Woody Harrelson) que lhe oferece carona. Tudo anda bem até que encontram Wichita e Little Rock, uma dupla de irmãs golpistas que estão indo para um parque de diversões (pois é).
Sim, o longa é recheado de coisas previsíveis, como uma paixão entre Columbus (o nerd) e Wichita (a gostosa), um pouco do passado de Tallahassee (o fortão) ser revelado – e desconstruir a imagem de durão dele – e a velha explicação da doença que infestou toda a população e só sobraram os protagonistas. Só que esses clichês são tão bem conduzidos e recheados de piadas e referências hilárias que acabam sendo os responsáveis pela diversão.
A fotografia do filme é excelente, apesar de não ser exatamente inovadora. Destaque fica para a cena onde uma senhora é arremessada pelo vidro do carro e para a cena onde Tallahassee fica preso numa cabina rodeada de mortos-vivos tocando o terror com duas pistolas enquanto rola uma música trágica (sensacional). O roteiro, mesmo apoiado no que muitos cinéfilos chamam de muleta – a narração em off, não reserva nenhum momento chato, ou perde tempo com diálogos que não chegam a lugar nenhum. É tudo um emaranhado de cenas de ação e comédias sem qualquer pretensão, e por isso mesmo é bom.
Agora, se você é um daqueles puritanos que acham que os filmes de zumbi tem que obrigatoriamente ter um mote político, fique longe, pois Zombieland não passa de uma comédia vazia de uma hora e meia na frente da TV. E das boas.
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