Beco do Batman
Não, querido nerd. Não estou me referindo ao caminho secreto para a Batcaverna que você tanto procurava, e sim ao buraco escondido bem no meio da Vila Madalena, mais especificamente à Rua Gonçalo Afonso, vulgo Beco do Batman, uma viela com entrada pela Rua Harmonia com suas paredes totalmente grafitadas e em constante mutação. Em tempos onde o graffiti há muito foi parar nas galerias e corre o risco de perder sua identidade contestadora para a industria cultural, o Beco, com centenas de graffitis de dezenas de artistas diferentes, serve de lembrança de como essa arte está arraigada com o contexto urbano das grandes metrópoles.
É rock na veia, véio.

- Galeria do Rock
Um dos meus lugares preferidos da cidade fica bem no meio de todo o burburinho do centro de São Paulo, com seus muitos camelôs, prostitutas, flanelinhas e todo o tipo de zé povinho paulistano. Um templo por onde mais de vinte mil pessoas que circulam todos os dias em busca em busca do bom e velho rock n’roll, ou pelo menos produtos relacionados à ele.
A Galeria do Rock, prédio originalmente chamado pelo nome sem graça de Shopping Center Grandes Galerias, é um complexo com 450 lojas, sendo a grande maioria delas dedicada à venda de produtos relacionados ao rock, como CDs, DVDs, camisetas e acessórios. Outra boa parte das lojas é dedicada a tatuagem e venda de produtos voltado para o público do hip-hop.
300% Spanish Design

300% Spanish Design
De bobeira pela Avenida Paulista, resolvemos dar uma passadinha no Sesc para bisbilhotar na mostra 300% Spanish Design, espalhada pelo térreo, terceiro e quarto andares do prédio, onde estão expostas 100 luminárias, 100 cadeiras e 100 cartazes produzidos por uma gentinha espanhola da melhor qualidade. Nomes de peso como Salvador Dalí, Antoni Gaudí, Javier Mariscal, Pablo Picasso, Antoni Tàpies e Joan Miró, revelados ao Zé Povinho paulistano em ângulos muito diferentes dos apresentados em galerias de arte.
Como já estávamos por lá mesmo, demos uma passadinha na Comedoria para ver a vista, mas no meio do caminho batemos de cara com a exposição Pequenos Formatos, escondidinha no quinto andar e que conta com a obra d sete artistas brazucas que tem a proposta de “pensar a essência do pequeno”, ou seja lá o que isso quer dizer. Ela tem umas peças bem interessantes, como pequenas cadeiras fazias em um círculo que permancem esperando o moemnto que alguém irá ocupá-las, ou ainda o casulo criado em uma coluna do prédio, que tem a clara intensão de provocar o nojo em quem o vê.
Clube da Luta
Quem passa diariamente pelo Viaduto do Café no centro de São Paulo e pelo Viaduto Alcântara Machado na região do Brás, talvez nem note os ringues e todos os apetrechos usados na prática do boxe que se acumulam por lá. A primeira vez que percebi a existência daquilo tudo, em uma pausa curta da eterna correria paulistana, fiquei chocado por nunca ter percebido que lá funcionava uma academia. Só depois fui descobrir que ambos os espaços fazem parte do projeto Cora Garrido de Boxe.
Lugares, mostras e indicações
Viver sem um puto no bolso é uma desgraça, entretanto viver duro na cidade de Anta Gorda no interior dos confins do inferno do Rio Grande do Sul deve ser bem pior.
Por essas e outras que amo São Paulo, pode-se estar fodido e mal pago, sem grana para tomar um picolé de limão, não importa, tendo a grana do ônibus sempre se arranja alguma coisa “de grátis” para fazer. É o mínimo a se esperar de uma cidade com onze milhões de habitantes, além de lixo, muito lixo, mas isso é outra história.
Sabe a situação fictícia “sem um puto no bolso” que citei acima? Bem, no meu caso não é tão fícticia assim. Por esse pequeno inconveniente, quase imperceptível, ao invés de ir no cinema deixar uns oitenta pilas entre a minha entrada e a da patroa, mais estacionamento, mais mega combo duplo pipoca-e-refrigerante, decidimos ir gastar nossas energias no Parque do Ibirapuera.
Choque Cultural
Sei que é cuspir no molhado, mas não canso de repetir que adoro morar em São Paulo. Não apenas pela contemporaneidade que a cidade expressa em cada esquina, tanto no Centro Velho repleto de mendigos, com sua decadência urbana necessária que subversivamente embeleza grandes metrópoles – o lado negro da força – quanto nos Jardins e sua prosperidade exacerbada, responsável pela renovação dos costumes de quem habita esse lugar que é muito mais que trânsito e poluição.
O que me prende a São Paulo são seus espaços. A imensa quantidade de lugares bacanas que a cidade proporciona a quem corajosamente a desbrava. Desde os pequenos e aconchegantes cafés escondidos em galerias e bairros residenciais, aos mega complexos empresariais onde milhares de pessoas bem vestidas entram e saem diversas vezes ao dia, impassíveis, perdidas em seus próprios pensamentos. Cada um com seus próprios espaços secretos (ou não) espalhados pela teia de ruas e avenidas que constituem O lugar.
Um desses espaços, desses que chamo de meu, secreto, mas nem tanto, é a Choque Cultural, uma galeria de arte que namora a cultura underground impregnada em cada parede que compõe São Paulo.
Nada na Choque é costumeiro ou conservador. O projeto serve como uma ponte que liga as manifestações e intervenções que surgem pela cidade ao restante da sociedade, uma espécie de plataforma para artistas vindos de outras praças, como o graffti, o design gráfico e a tatuagem, que não encontrariam espaço no circuito da arte mais certinho e apegado as regras. Lá se encontram os trabalhos de nomes como Silvana Mello (para quem não reconhece o nome, a moça também foi vocalista da banda Lava), e dos grafiteiros Speto, Highraff e Zezão (que ficou conhecido pelas suas incursões artísticas nos esgotos paulistas) e muitos outros artistas que não fazem um trabalho nem um pouco convencional.
O projeto Choque Cultural foi fundado por Mariana Martins, filha do pintor Aldemir Martins, Baixo Ribeiro, e Eduardo Saretta e surgiu como uma editora, com edições limitadas, numeradas e assinadas de posters, livros, stickers, brinquedos e outros objetos colecionáveis. Só mais tarde veio a galeria e suas primeiras exposições coletivas, como a Calaveras, a Catalixo e a Erótica que definiriam os rumos que a casa tomaria.
Desde sua fundação em 2004, suas paredes estão sempre repletas de cores e formas, estilo que atraiu muitos admiradores e abriu de fato uma nova frente de negócios envolvendo a arte feita por jovens e para jovens. Em três anos de existência a Choque tornou-se a principal referência quando o assunto é arte underground, vanguarda, graffiti, tattoo, cultura pop, street art, arte urbana, low Brow, etc., motivos a transformam em um dos espaços mais criativos da cidade.
Galeria Choque Cultural
Rua João Moura, 994 – Pinheiros
Fone: (11) 3061-4051
Site: http://www.choquecultural.com.br/

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