Gatos infernais
Sempre há algo de novo no cenário independente paulista. Mas, de uns tempos para cá, todos os algos-de-novo que apareceram me parecem sempre mais do mesmo. Uma mistura entre algo como Artic Monkey batidos com mel, aveia e e uma pitada de Radiohead, acrescentando altas doses de calças justas, cabelos propositalmente despenteados, letras chorosas e terninhos bem comportados. Quando não, algo tão experimental, mas tão experimental, que ninguém quer realmente experimentar.
Um mês atrás levei um “baixa-isso-aqui-mano” de umas amigas minhas. O link era para o site de uma banda onde alguém que conheciam era vocalista. Hellcats. Vou falar a verdade, quando cheguei no site e vi aquele visual roxo com preto e fotos de uma garota de cabelos avermelhados (agora estão alaranjados) empunhando o microfone pensei “Putz! Mais uma banda de metal melódico não, por favor”. Mas, como a banda havia sido muito bem referenciada, tomei coragem, baixei as músicas, joguei para dentro do player e confiei.
Cassete E-nútil
Nine Inch Nails | The Slip – Na faixa!!!
Cavalo dado não se olha os dentes, já dizia dona Nahir em seus arroubos intelectuais nas tardes de domingo nos idos brusquenses.
Faz quase um mês que baixei “The Slip”, novo disco que o Nine Inch Nails estava divulgando gratuitamente na sua página na net e cheguei a conclusão que a velhota estava certa, o álbum realmente não é o melhor que eles já lançaram em toda sua história nesse multiverso, mas é bom, bonito e, o que é melhor, gratuito.
Debute álbum
Ok, sem muita coisa para fazer hoje, cheguei na empresa às sete da matina e agora estou coçando o saco no sentido figurado. Dei uma fuçada pela internet, mas tirando a morte do Yves Saint Laurent e um foguinho no estúdio da Universal, parece que não está acontecendo nada demais em lugar nenhum do mundo inteiro.
Ao invés de mandar logo num top 5 para ocupar espaço nessa joça de blog, resolvi colocar uma coisa muito mais bacanuda que peguei lá no Hellfire Club, que pegou do Arte e Vício e do Nerd-o-Rama, que pegaram no eudiziaque.
I wanna be a rockstar
Você sabia que um porco quando chega ao orgasmo passa trinta minutos ejaculando? Não? Em que planeta você vive? Bem, agora sabe, e sabe também que com toda certeza do mundo na próxima encarnação eu quero ser um suíno (o animal mesmo).
Tudo bem, se eu não puder ser um porco, que eu aceito ser um leãoser um leão. Ele também é legal, consegue transar até trinta vezes em um só dia, e as fêmeas ainda caçam e o sustentam de bom grado(de certo devem ficar agradecidas, não é em toda espécie que se encontra machos com uma “vitalidade” dessa). Toda a mordomia que um macho merece.
Vai ver a mangueira entrar?
Eu tenho inveja dos curitibanos, muita.
Você quer saber por quê? Minha cara besta, olha pela janela onde você mora. Olhou? Pois eu te digo o que você está vendo: Ou um apinhado fedorento de prédios, pichações e lixo, ou uma praia quente, abafada e úmida (sim, eu sei que às vezes coisas quentes e úmidas são boas) ou um maldita cidadezinha pitoresca, meio bucólica, sem bosta nenhuma para fazer e no meio do nada.
Os curitibanos, não. Eles moram numa das capitais mais organizadas e arborizadas do país, os shows deles acontecem em uma pedreira (quer lugar mais foda que esse?), lá não tem praia e é frio bagarai e esses são apenas quatro dos motivos para eles serem superiores a nós. Agora, além de tudo isso, ao invés de eles serem obrigados a escutar batuques e cornetas e gente gritando e espuminhas e toda aquela palhaçada que é o carnaval, que é o mínimo que se pode esperar nessa porra de país subdesenvolvido, eles provam mais uma vez que nós somos os losers e eles os donos da bonança.
Não tá entendendo nada? Então senta a bunda aí que eu ambém não terminei o post.
Teclas Brancas
Falei por cima do novo álbum da Polly Jean neste post aqui. Disse que a ex-mocréia não ficou totalmente satisfeita com “Uh-Huh Her”, seu último disco de estúdio e que resolveu apostar em sonoridades diferentes em um novo trabalho que levou o título de White Chalk, por usar e abusar das teclas brancas do piano, foi produzido em conjunto com John Parish e blá-blá-blá.
Depois de um longo e tenebroso inverno tive oportunidade de escutar o tal disco da moça com mais atenção, para concluir que se não é o melhor de sua carreira, com certeza é o mais intimista e renovador, já que é totalmente contrário ao que qualquer fã esperaria da cantora e suas guitarras distorcidas, sons eletrônicos e voz rasgada. O que é ótimo, afinal é sempre bom ver algo de novo no front, ainda mais quando esse “algo de novo” é algo inesperado e bom.
O disco tem uma aura sombria pairando sobre ele, explicitada na capa que traz estampada uma Polly Jean Harvey toda de branco em um fundo negro que parece querer engoli-la, seu ar melancólico foi inspirado no quadro “White Girl” do pintor James Abbott McNeill Whistler de 1861. As canções seguem no mesmo ritmo, procurando isolamento, como em “Silence” que se desliga de toda sua família e até de si mesmo.
O álbum também traz composições que remetem à infância da moçoila, como em “Grow Grow Grow”, onde cria uma distante imagem de sua mãe e em “To Talk To You”, a faixa mais triste do universo, em que a cantora tenta sem sucesso um contato com o avô. O primeiro single do disco é também sua música mais marcante, “When Under Eter”, fala sobre uma pessoa em coma em versos que arrepiam só de imaginar a situação: “a mente está viva, mas sem consciência de nada, ela quer sobreviver”, deu para entender o contexto, não?
Polly Jean excluiu quase que totalmente seu “lado rock” desse novo trabalho, optando por uma mistura de uma sutil bateria quase imperceptível ao fundo e instrumentos como piano, gaitas, harpa e banjo. Mas, apesar de todas as diferenças com tudo que produziu até hoje, em White Chalk continua presente a intensa carga emotiva despudorada que a acompanha, claramente perceptível no grito agudo e espalhafatoso da música “The Devil”.
No final de seus poucos mais de 30 minutos o ouvinte percebe que a essência não se perdeu, foi aprimorada.



Você pensou que eles nunca mais fossem voltar, não é? Já havia jogado uma pá de cal sobre os cadáveres de Iggor e Max Cavalera, não é? Não acreditou quando os caras resolveram reatar seus laços onde corre o sangue do demo, não é?